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A República num quarto de hotel e o muro que a divide.

Em palácio transformado em brechó fuleiro, Dilma compra votos contra impeachment, como Lula em quarto de hotel.

Ao se deparar com a reação popular à crise ética, provocada pelo assalto aos cofres públicos, feito por seus correligionários e aliados, a presidente Dilma Rousseff passou a utilizar a sede do poder republicano como se este fosse estádio de assembleia sindical. Para ter êxito nessa transformação, pediu ajuda a seu padrinho, o mais bem-sucedido dirigente de sindicato da História do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. E, ao som de palavras de ordem, berradas de forma agressiva e alucinada, o Palácio do Planalto foi por ela, mais recentemente, transformado em refúgio de guerrilheiros da esquerda armada, àquela época chamado de aparelho.

Diante da perspectiva cada vez mais ameaçadora do impeachment anunciado, ela agora passou a encenar uma versão contemporânea do pátio do templo de Jerusalém, do qual, conforme o Evangelho, Jesus Cristo expulsou a chicotadas os vendilhões. Assim Dilma agora age, diuturnamente e noturnamente, advérbios de tempo dos quais tem abusado por seu exacerbado amor à ênfase, que considera inestimável figura de retórica para dissuadir fascistas, golpistas, coxinhas, zelitistas e que tais.

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Ministro Gilmar Mendes(STF) defendendo a tese que o judiciário não pode”virar aparelho de partidos” afastando-se da reunião

Gilmar Mendes rebate nota da OAB: ‘Não pode virar aparelho de partido’O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse neste sábado (19) que tem muitas críticas à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ao ser questionado sobre a nota em que teve a postura classificada como “grosseira, arbitrária e incorreta” pelo Colégio de Presidentes de Conselhos Seccionais. O texto, divulgado na quinta-feira (17), refere-se à participação dele durante julgamento da ação que questiona doação de empresas a campanhas eleitorais.

“Sou de um tempo em que eu estudei, por exemplo, textos do Caio Mário da Silveira, que foi presidente da OAB quando o Raymundo Faoro era um dos seus membros. Depois, eu conheci a presidência do Raymundo Faoro. Era gente que tinha lido muitos livros e que escrevia livros, não eram defensores de entidades sindicais. Eu tenho impressão que a OAB não pode virar aparelho de partido”, criticou o ministro, em Campinas (SP), após participar do Fórum Nacional de Agronegócios em um hotel. O evento é promovido por líderes empresariais do setor.

Mendes disse também não se incomodar com as críticas recebidas por votar contra a proibição das empresas na doação para as campanhas. “Não [incomodam]. Minhas posições são muito claras, são muito transparentes. Acho que na vida pública, eu já disse isso, a gente fica conhecido, é claro, pelos amigos que têm e pelos inimigos que cria”, ponderou.

A assessoria da OAB, em Brasília (DF), não se pronunciou sobre o assunto até esta publicação.

‘Não tem briga’
O ministro voltou a defender que o esquema investigado pela Operação Lava Jato revela um “modelo de governança corrupta” que, para ele, pode ser chamado de “cleptocracia”. Além disso, foi taxativo ao ser questionado se o país passa por um momento mais difícil, comparado à época em que houve o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, atualmente senador pelo PTB de Alagoas, em setembro de 1992.

“É difícil comparar, eram momentos diferentes. Hoje o país é mais complexo, mais ativo. Estamos na era da internet, toda essa participação. Em termos de dimensão de escândalo, é evidente que o quadro hoje é muito mais grave”, avaliou.

Mendes considerou que não há briga entre os poderes Executivo, Legsilativo e Judiciário. “A rigor, cada qual está cumprindo as suas funções. Em alguns momentos a gente tem tensões, é normal. Mas, havendo decisão, cumpre-se”, frisou o ministro do STF.

Polêmica
Na sessão de quarta-feira (16), após apresentar voto, Mendes abandonou o plenário da Corte no momento em que um advogado da entidade pediu a palavra para ressaltar a posição da OAB sobre a doação de empresas a campanhas eleitorais. No voto, o ministro argumentou que a eventual proibição de as empresas fazerem doações eleitorais “asfixiaria” a oposição. Ele também indicou que a OAB estaria agindo em interesse do PT no caso.

Ao final da sessão, o secretário-geral da OAB, Cláudio de Souza Pereira Neto, subiu à tribuna para rebater trechos do voto do ministro. “A ação foi proposta há cinco anos, o subscritor era o presidente Ophir Cavalcante, que todos que acompanharam o debate público daquela época sabem que era um crítico ferrenho do governo Lula, um crítico ferrenho do governo Dilma e um crítico ferrenho do PT”, enfatizou.

Neste momento, Gilmar Mendes interrompeu a manifestação do advogado, dizendo que o representante da OAB não estava trazendo fatos novos ao julgamento. Porém, o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, repreendeu a postura do colega de tribunal. Irritado, Mendes se levantou e deixou o plenário.(   Ricardo Noblat -Colunista de o Globo)

 

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Artigo: Onde está a Dilma?

Onde está a estratégia de Dilma?
Presidente Dilma Rousseff acena de dentro do carro durante desfile cívico nesta segunda-feira (7)Um amigo publicitário costumava usar uma frase para descrever momentos como o atual: “se piorar, piora”. Quando se acha que tudo está perdido, dizia ele, é bom lembrar que “sempre há um gap”, um espaço para que a situação descambe mais um pouco. É grande a vontade de ignorar o noticiário político e econômico, tamanha a quantidade de exemplos cotidianos que comprovam a sabedoria de meu amigo em sua frase. A sensação é que, todo dia, o Brasil piora mais um pouco.

Parece que o governo pretende apresentar hoje um projeto de reforma administrativa, com cortes de cargos e salários. Note bem: parece. Até agora, pelo visto, a ideia era aumentar uns impostos para apresentar um resultado positivo nas contas públicas e tentar desfazer a gafe absurda que foi entregar ao Congresso um Orçamento com déficit. Quer dizer: o governo – neste caso o ministro Nelson Barbosa, do Planejamento, uma vez que o da Fazenda, Joaquim Levy, sempre pediu mais cortes – acreditava mesmo que era impossível reduzir mais os gastos da máquina estatal. Com seus 40 ministérios, 23 mil cargos comissionados, centenas de estatais envolvidas em atividades que nada têm à ver com a função do Estado, enfim, não é necessário repetir tudo o que já sabemos a respeito da elefantíase do Estado brasileiro, não é mesmo?

Precisou então a desacreditada agência de risco Standard & Poor’s rebaixar a nota de crédito brasileira para a presidente Dilma Rousseff descobrir a gravidade da situação. De acordo com alguns relatos, ela afirma enfim ter se dado conta de que é preciso fazer um movimento de impacto. Na lista de medidas, fora a tal reforma, está a saída do ministro da Casa Civil, Aloysio Mercadante, que nunca se conformou com não ter ocupado a pasta da Fazenda por um só dia em 13 anos de governo do PT (precisa explicar por quê?). Qual a chance de alguém com o retrospecto de Dilma conseguir tomar alguma medida capaz de mitigar minimamente alguma das duas crises – econômica e política – que vivemos?

A situação dela é ainda mais complicada por sua reconhecida falta de traquejo político. “Tenho uma clara estratégia econômica”, afirmou em entrevista ao jornal “Valor Econômico” esta semana. Hein? Tem mesmo? Pois, na entrevista que deu ontem em Paris, o ministro Levy não anunciou rigorosamente nada que conserte a mixórdia orçamentária do governo. Dá para acreditar que existe alguém no Planalto trabalhando em algo crível em matéria de corte de despesas e aumento de receitas para consertar o Orçamento? A cada dia, surge um novo balão de ensaio para testar se esta ou aquela proposta de imposto – CPMF? IR? Cofins? que mais? – tem alguma chance. Previsivelmente, com os humores no estado atual, nada vinga.

Um economista com quem conversei recentemente, com uma grande experiência de atuação no governo, comparou a situação atual às vésperas do Plano Real. Naquela época, disse, foi preciso que a inflação atingisse o ponto de absoluto descalabro, para que o país resolvesse enfim reagir sem o olhar demagógico e populista que contaminou todos os planos econômicos fracassados anteriormente. Agora, segundo ele, é preciso que a situação das contas públicas chegue ao limite da falência, sem que haja nenhum espaço de aumento na carga tributária, para que se torne claro, enfim, aos olhos de todos, que é preciso reduzir o tamanho do Estado brasileiro.

A verdade é que esse enxugamento deveria ter sido feito concomitantemente ou logo depois do Plano Real. O governo na época, até hoje tachado injustamente de “neoliberal” pela esquerda, preferiu – que dúvida? – aumentar impostos. Não enxugou, porque nenhum governo gosta de cortar gastos. São raríssimos os governantes que fazem isso – é o caso da premiê britânica Margaret Thatcher, mas não, ao contrário do que muitos imaginam, do presidente americano Ronald Reagan. Nem os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, muito menos Dilma, tiveram ou têm a convicção necessária para fazê-lo. Todos gostam de defender a ação do governo e suas políticas sociais. De FHC ou Lula, pode-se ao menos dizer que ao menos mantiveram durante vários anos as contas sob controle. Até a trágica gestão do ex-ministro da fazenda Guido Mantega, o mais longevo no cargo, soltar os freios e deixar o trem da economia descarrilar.

A solução, o tal “remédio amargo”, é enxugar a máquina pública e cortar gastos sociais. Isso fica claro no estudo dos economistas Marcos Lisboa, Mansueto Almeida e Samuel Pessoa, citado aqui dias atrás. Ambas medidas são infinitamete mais complexas, em termos políticos, do que o mais ousado plano de combate à inflação. A dificuldade de qualquer governo em cortar gastos se explica pela quantidade de grupos de interesee que dependem desses gastos e exercem pressão política. Eles estão nas associações, sindicatos, ONGs, no Congresso, por toda parte enfim. Para fazer o que é necessário, será preciso enfrentar esses interesses.

É preciso ter uma estratégia clara, um plano que oriente as brigas a comprar, em que ordem – aposentados? funcionários de estatais? beneficiários de aposentadoria rural? financiados pelo BNDES? Sudene? – e a que custo. Não se trata de um trabalho que possa ser feito em alguns dias, ou mesmo semanas. É evidente que Dilma não dispõe de nada parecido, por falta de vontade ou de competência. O máximo que ela pode apresentar será mais uma versão maquiada do Orçamento, com números fictícios que projetem uma trajetória de recuperação. Eles tratarão de ser invariavelmente desmentidos pela realidade – lembre, “sempre há um gap”. Sem uma liderança política hábil, capaz de articular e enfrentar todos esses interesses, é impossível reallizar o enxugamento da máquina pública de que precisamos. O nome dessa liderança, fica mais claro a cada dia, não é Dilma Rousseff.

 

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Para se defender, PP ameaça dizer que Dilma sabia de esquema na Petrobras

 

Colunista: Gerson Camarotti
Diante dos mandados de busca e apreensão que colocaram em situação extremamente delicada dois caciques do PP – o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), e o líder da bancada, deputado Dudu da Fonte (PE) – integrantes da cúpula do partido ensaiam uma reação que pode deixar a presidente Dilma Rousseff numa saia justa. Nos bastidores, dirigentes do PP fecharam um discurso de defesa da atual cúpula do partido que, na interpretação deles, pode expor uma contradição da versão apresentada por Dilma até agora, diante dos fatos da Operação Lava Jato.

Ao Blog, três dirigentes do partido apresentaram a versão de que a presidente sabia do esquema de corrupção na Petrobras. E, segundo eles, argumentava que era uma herança do governo Lula.A presidente sempre negou que tivesse conhecimento de episódios de corrupção na estatal. “Não tinha informação de malfeito, porque, se eu tivesse, teria tomado medida”, afirmou em setembro do ano passado.Em junho deste ano, disse que é “impossível” que se aponte ligação entre ela e o escândalo na Petrobras.De acordo com esses dirigentes, Dilma chegou a falar isso com todas as letras para o então ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, logo depois que ele tomou posse, no início de 2012.

Segundo esse relato, na ocasião, a bancada do PP queria manter Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobras. Mas, de acordo com os dirigentes do PP, Dilma reagiu: “Não vou manter o Paulo Roberto Costa. Ele está envolvido num esquema pesado na Petrobras. Ele está fora”, teria dito a presidente.Paulo Roberto Costa caiu logo depois da conversa de Dilma com o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro. “Essa coisa da Dilma dizer que não sabia de nada não se sustenta. Os fatos mostram que ela sabia do esquema. E que só depois de um bom tempo no governo é que fez as mudanças na Petrobras”, observou um dirigente do PP.

A atual cúpula do partido argumenta que assumiu o controle do PP no mesmo momento em que Paulo Roberto Costa caiu. Apesar desse argumento, os nomes que integram o atual comando do PP foram citados pelos delatores da Operação Lava Jato como beneficiários do esquema. Na primeira lista apresentada por Rodrigo Janot (PGR), aceita pelo Supremo Tribunal Federal, o PP aparece com o maior número de parlamentares investigados.

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É patetica a tentativa do PT e de seus aliados na rede midiática financiada pelo Governo para confundir” alhos com bugalhos”

 É patética a tentativa do PT e de seus aliados na rede mídiática financiada pelo governo de confundir alhos com bugalhos, colocando na mesma cesta os políticos financiados pelo dinheiro corrupto desviado da Petrobras e outros, também financiados pela empreiteira UTC de Ricardo Pessoa.Como as doações foram feitas para políticos de vários partidos, querem fingir que todos deveriam ser criminalizados ou absolvidos, o que é uma besteira. Os políticos de qualquer partido que tiverem recebido dinheiro do caixa 2 para suas campanhas eleitorais merecem punições da legislação eleitoral.

Pode ser o caso do senador do PSDB Aloysio Nunes Ferreira, que nega ter recebido R$ 200 mil em dinheiro, mas declarou R$ 300 mil de doações da Constran, uma subsidiária da UTC. Como Aloysio na ocasião das doações tinha nas pesquisas 2% de intenções de votos e estava em sétimo lugar nas pesquisas para Senador em São Paulo, candidato por um partido de oposição, as doações certamente só poderiam ser feitas por amizade, e não por interesse em sua atuação. Em nota, ele atribuiu as doações à amizade com um executivo da Constran.
Outro caso é o do deputado Júlio Delgado, do PSB, que teria recebido R$ 150 mil da UTC para ajudar a melar a CPI da Petrobras. Além de se sentir um otário, pois, segundo delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa o ex-presidente do PSDB já falecido, Sérgio Guerra, teria recebido R$ 10 milhões para o mesmo fim, Delgado, se ficar provado que agiu de má-fé nesse sentido, merece punição grave da Câmara, até mesmo ser cassado por falta de decoro.
O fato de os dois pertencerem a partidos de oposição que aparecem na lista não anula as acusações contra os petistas e os aliados do governo. O que é preciso buscar é a razão por que candidatos receberam dinheiro da empreiteira, legal ou ilegalmente. O caminho mais simples é identificar quais políticos teriam condições de ajudar a UTC a ter vantagens no governo petista ou, mais especificamente, na Petrobras..Certamente políticos de oposição não podem entrar nesta lista, o que faz com que a seleção natural dos culpados por desvios de dinheiro dos contratos da Petrobras e suas subsidiárias leve aos candidatos do PT e dos aliados do governo.
Por isso, não tem a menor importância que a UTC tenha dado milhões de reais para a campanha de Aécio Neves a presidente. É claro que o interesse nesse caso era o de garantir simpatia, caso a oposição vencesse as eleições. Aliás, essa distribuição de dinheiro sem critérios programáticos é uma das correções que devem ser feitas na regulamentação do financiamento privado das campanhas eleitorais. Não é possível permitir que a mesma empresa doe para diversos partidos e candidatos na mesma eleição.
A mesma lógica torta aparece para tentar desqualificar o processo do Tribunal de Contas da União (TCU) contra a presidente Dilma. Na delação premiada de Ricardo Pessoa, ele revelou que deu uma mesada de R$ 50 mil ao filho do presidente daquele órgão Aroldo Cedraz para receber informações privilegiadas sobre os processos que interessassem à empreiteira.
Ora, mesmo que se prove verdadeira a acusação, ela não invalida o trabalho dos técnicos do TCU sobre as contas do governo Dilma, nem tem o condão de desfazer as “pedaladas” fiscais e os crimes contra o Orçamento realmente praticados.
Esse raciocínio de má-fé leva a que, no extremo, chegue-se à inviabilização de um eventual processo de impeachment da presidente Dilma por que há políticos notoriamente corruptos no Congresso. Talvez seja mesmo esse o objetivo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Todos os corruptos, seja de que partido forem, merecem punições de acordo com o que praticaram.
Na corrupção da Petrobras, não há como retirar do PT a culpa original, e dos partidos aliados do governo uma co-autoria com direito a altas somas. Basta lembrar que Ricardo Pessoa declarou em sua delação premiada que o grupo do senador Fernando Collor recebeu nada menos que R$ 20 milhões de comissão por uma obra na BR Distribuidora.

  •  É patética a tentativa do PT e de seus aliados na rede mídiática financiada pelo governo de confundir alhos com bugalhos, colocando na mesma cesta os políticos financiados pelo dinheiro corrupto desviado da Petrobras e outros, também financiados pela empreiteira UTC de Ricardo Pessoa.
    Como as doações foram feitas para políticos de vários partidos, querem fingir que todos deveriam ser criminalizados ou absolvidos, o que é uma besteira. Os políticos de qualquer partido que tiverem recebido dinheiro do caixa 2 para suas campanhas eleitorais merecem punições da legislação eleitoral.
    Pode ser o caso do senador do PSDB Aloysio Nunes Ferreira, que nega ter recebido R$ 200 mil em dinheiro, mas declarou R$ 300 mil de doações da Constran, uma subsidiária da UTC. Como Aloysio na ocasião das doações tinha nas pesquisas 2% de intenções de votos e estava em sétimo lugar nas pesquisas para Senador em São Paulo, candidato por um partido de oposição, as doações certamente só poderiam ser feitas por amizade, e não por interesse em sua atuação. Em nota, ele atribuiu as doações à amizade com um executivo da Constran.
    Outro caso é o do deputado Júlio Delgado, do PSB, que teria recebido R$ 150 mil da UTC para ajudar a melar a CPI da Petrobras. Além de se sentir um otário, pois, segundo delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa o ex-presidente do PSDB já falecido, Sérgio Guerra, teria recebido R$ 10 milhões para o mesmo fim, Delgado, se ficar provado que agiu de má-fé nesse sentido, merece punição grave da Câmara, até mesmo ser cassado por falta de decoro.
    O fato de os dois pertencerem a partidos de oposição que aparecem na lista não anula as acusações contra os petistas e os aliados do governo. O que é preciso buscar é a razão por que candidatos receberam dinheiro da empreiteira, legal ou ilegalmente. O caminho mais simples é identificar quais políticos teriam condições de ajudar a UTC a ter vantagens no governo petista ou, mais especificamente, na Petrobras..
    Certamente políticos de oposição não podem entrar nesta lista, o que faz com que a seleção natural dos culpados por desvios de dinheiro dos contratos da Petrobras e suas subsidiárias leve aos candidatos do PT e dos aliados do governo.
    Por isso, não tem a menor importância que a UTC tenha dado milhões de reais para a campanha de Aécio Neves a presidente. É claro que o interesse nesse caso era o de garantir simpatia, caso a oposição vencesse as eleições. Aliás, essa distribuição de dinheiro sem critérios programáticos é uma das correções que devem ser feitas na regulamentação do financiamento privado das campanhas eleitorais. Não é possível permitir que a mesma empresa doe para diversos partidos e candidatos na mesma eleição.
    A mesma lógica torta aparece para tentar desqualificar o processo do Tribunal de Contas da União (TCU) contra a presidente Dilma. Na delação premiada de Ricardo Pessoa, ele revelou que deu uma mesada de R$ 50 mil ao filho do presidente daquele órgão Aroldo Cedraz para receber informações privilegiadas sobre os processos que interessassem à empreiteira.
    Ora, mesmo que se prove verdadeira a acusação, ela não invalida o trabalho dos técnicos do TCU sobre as contas do governo Dilma, nem tem o condão de desfazer as “pedaladas” fiscais e os crimes contra o Orçamento realmente praticados.
    Esse raciocínio de má-fé leva a que, no extremo, chegue-se à inviabilização de um eventual processo de impeachment da presidente Dilma por que há políticos notoriamente corruptos no Congresso. Talvez seja mesmo esse o objetivo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Todos os corruptos, seja de que partido forem, merecem punições de acordo com o que praticaram.
    Na corrupção da Petrobras, não há como retirar do PT a culpa original, e dos partidos aliados do governo uma co-autoria com direito a altas somas. Basta lembrar que Ricardo Pessoa declarou em sua delação premiada que o grupo do senador Fernando Collor recebeu nada menos que R$ 20 milhões de comissão por uma obra na BR Distribuidora.(Texto: Jornalista Merval Pereira-g1 Brasilia)

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Que país é Este? Será que esgotamos a nossa cota de Escandalhos e de Corrupção? Será que estamos proibidos de trabalhar e crescer?

Meus amigos gostaria de dizer algumas palavras a vocês, neste momento tão difícil pelo qual passa o nosso País! Somos uma nação superlativa, porém a nossa grandeza caminha em outra direção: No sentido dos escândalos. Primeiro foi o Mensalão, depois veio a Operação Lava Jato, onde se descobriu que as maiores empreiteiras do Brasil encontram-se envolvidas em negociatas escusas que sangraram os cofres da maior Empresa Nacional – Petrobrás. Nos deparamos com investigações policiais envolvendo o nome de senadores e deputados federais, incluindo o próprio presente do Senado e da Câmara dos Deputados, além de várias instituições políticas, como é o caso do PT e de alguns dos seus aliados políticos.

Para piorar, agora viramos o epicentro do escândalo financeiro que envolve a Entidade máxima do Futebol Mundial, onde vários dirigentes foram presos, incluindo o ex-presidente da CBF. Sem esquecer-se de mencionar que ainda temos um mega empresário brasileiro, com vasta atuação no meio esportivo tendo que se submeter a um acordo de delação premiada, com a promessa de devolução de mais de 470 milhões de dólares e proibido de deixar os Estados Unidos da América.

Todos estes escândalos acabam manchando a imagem do País pelo mundo afora. Imagem esta que arduamente fora construída no final dos anos 90, inicio dos anos 2000, por gente séria e por governantes comprometidos com a necessidade de crescimento do País frente ao mundo, adotando-se políticas de austeridade fiscal e econômica, com uma moeda forte e com uma taxa inflacionaria baixa. Além de nos tornarmos um País aberto ao mundo exterior, acabamos nos transformando em um dos maiores exportadores de produtos agrícolas e agropecuários – viramos o celeiro do Mundo. O Mundo passou a nos enxergar com outros olhos. Viramos parceiros comerciais de várias nações. Ingressamos no chamado Brics (grupo dos cinco maiores países em desenvolvimento).

Para piorar o cenário nacional, no ano de 2014 enfrentamos duas grandes decepções, para dizer outra palavra. Primeiro foi o fracasso da Copa de Mundo. Copa que, aliás, custou os tubos de dinheiro publico. Depois foi a mentirosa e ardilosa campanha eleitoral para a Presidencia da Republica, para Senadores, Deputados Federais e Estaduais e para Governadores.Lamentavelmente, mais uma vez fomos enganados pelos maus políticos que se assolam a Nação Brasileira. Não fosse suficiente mentir e iludir o povo com falsas promessas, acabamos descobrindo (tardiamente) que os astronômicos  recursos financeiros utilizados no abastecimento das campanhas políticas são frutos de uma roubalheira despudorada e descarada.

Existe uma sensação de impunidade no ar. Mesmo diante do clamor do Povo, que saiu as Ruas para se manifestar e reclamar contra todos os dirigentes encastelados no poder, especialmente em Brasília, exigindo-se a renuncia do governo da Presidente Dilma e a punição exemplar de todos os culpados, nada aconteceu. Ao contrário, os políticos parecem que só conseguem enxergar os próprios umbigos. Conseguiram triplicar os recursos para o Fundo Partidário e estão ensaiando uma reforma política voltada exclusivamente para os seus próprios interesses. No âmbito político econômico, a situação é ainda pior. A inflação voltou com tudo. Todas as promessas de campanha foram esquecidas. Aumentaram os combustíveis, dobraram os valores das contas de luz e água. O custo de vida subiu e os governantes fazem de conta de que nada de errado está acontecendo.

Mesmo diante de todo este cenário negativo, me sinto no dever de dizer que não podemos jogar a toalha, ao revés, temos que nos unir e apostar que este País tem gente séria, como os Senhores e Senhores que aqui estão. Gente que pensa na sua família e no futuro da sua geração e não pode se dar ao desfrute de ver a Nação Brasileira continuar sendo sangrada e esfacelada por maus administradores. Espelhemo-nos, portanto, no Juiz Federal Sergio Moro e sua equipe, os quais estão dando uma demonstração de competência e agilidade na punição dos transgressores da Lei.

Para voltarmos a crescer moral e economicamente, precisamos passar o Brasil a limpo, dando uma basta na corrupção, expurgando da vida pública todo aquele que atentar contra a Nação.Creio piamente que se depender do apoio e participação de cada um de vocês, e de todos os que militam no turismo, com certeza voltaremos aos trilhos e nos tornaremos uma grande Pátria novamente.Unidos somos fortes! Viva o Turismo Brasileiro!.Que Deus vos abençoe!Um beijo no coração de todos vocês!–Michel Tuma Ness–PPresidente da Federação Nacional de Turismo e Vice Presidente da CNT|ur(Sbnews.Com.br)

 

 

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Pesquisa deixa a Presidenta Dilma e o Palácio do Planalto em alerta

 

  • A manutenção da credibilidade na condução das contas públicas no Brasil a longo prazo foi o principal motivo para a presidente Dilma Rousseff indicar sua disposição de vetar a mudança no fator previdenciário incluída numa medida provisória do ajuste fiscal. Dilma chegou a ser aconselhada até mesmo pelo ex-presidente Lula a manter a mudança e não vetar o fim do fator. Em favor de uma decisão política nesse sentido, estaria o fato de que o fim do fator previdenciário teria um impacto relativamente pequeno nos cofres do governo nos próximos quatro anos.Mas o grupo mais próximo de Dilma avalia que uma decisão como essa seria um péssimo sinal para a economia. E, do ponto de vista político, iria expor até mesmo os deputados petistas e aliados que votaram com o governo para manter o fator.“O Lula poderia ter derrubado o fator, mas não fez isso no governo dele. Isso porque teve responsabilidade. É mais fácil sugerir isso quando você não está mais na cadeira de presidente. É verdade que o impacto imediato será pequeno. Mas é um péssimo sinal para a credibilidade do país”, observou um interlocutor da presidente Dilma.

    Entre as alternativas propostas ao fim do fator previdenciário, ganha força a adoção da fórmula 85/95, que inclui a soma da idade de mulheres/homens com o tempo de contribuição do aposentado. Mas, para ser sustentável, o governo estuda adotar uma espécie de gatilho flexível que inclui a expectativa de vida ao longo dos anos para atualizar fórmula. De todo jeito, a presidente Dilma Rousseff só quer apresentar a proposta do governo depois de ouvir as centrais sindicais. Internamente, há o reconhecimento de que o fim do fator previdenciário acabou expondo o momento de fragilidade política do governo Dilma.O governo corre para ter uma proposta fechada nas duas próximas semanas, quando Dilma fará os vetos necessários nas medidas provisórias do ajuste fiscal. Se não houver tempo, a proposta pode ser apresentada em agosto, período em que os vetos serão analisados pelo Congresso.

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Artigo:”Não há só crise politica no Brasil, mas o fim de um ciclo, o desmoronar de um modelo que levou ao limite fisiologismo e corrupção”

Carlos Alberto Sardenberg


Carlos Alberto Sardenberg Foto: O Globo

Não há só crise política no Brasil, mas o fim de um ciclo, o desmoronar de um modelo que levou ao limite fisiologismo e corrupção

Não é verdade que sempre foi assim, essa roubalheira. Nem que a política brasileira sempre foi essa disputa por interesses pessoais, no máximo partidários.É clássica a questão sobre a ética na política: é possível ser eficiente e manter os princípios morais? Ou, considerando os ideais políticos: é possível governar sem fazer concessões?“Nunca abandonamos nossos princípios; nunca mudamos nosso programa; nunca aceitamos alianças espúrias… E nunca governamos”. É mais ou menos o que dizia um quadrinho do argentino Quino — cito de memória — mostrando um ancião discursando para meia dúzia de correligionários numa sala empoeirada.

Humor sempre exagera mas é para, digamos, exagerar uma realidade. Muitas vezes a gente tende a acreditar que a alternativa é essa mesmo: ou o político se mantém fiel ao programa e à ética, e será sempre a honesta oposição, ou faz todo tipo de concessão para alcançar e exercer poder.Quantas vezes já se disse por aqui que não é possível governar o Brasil sem comprar uns votos?Mas reparem: ninguém diz isso antes de ser apanhado. Pelo contrário: todos são defensores da ética e da república até o momento em que são flagrados passando o dinheiro.Ou seja, é uma desculpa de corruptos. E se fosse verdadeira, todos os políticos que viessem a alcançar o poder seriam necessariamente uns bandidos ainda não apanhados. Quase se poderia dizer: um político ladrão é um político normal que foi pego. Que boa parte da população pense assim, é um sinal dos tempos atuais.

Não há apenas uma crise política no Brasil, mas o fim de um ciclo, o desmoronar de um modelo que levou ao limite o fisiologismo e a corrupção. Fisiologismo — essa é uma palavra velha. Pode ser substituída por clientelismo, e se opõe a idealismo.O político fisiológico não tem jeito: é aquele que busca o poder, por qualquer meio e aliança, para nomear os correligionários e gastar o dinheiro público com sua clientela. E pronto.Já o idealista se guia por princípios e programas, mas pode ter alguma flexibilidade. Ou como se diz por aqui: é preciso ter jogo de cintura.

Para citar um político do passado, um dos grandes, Franco Montoro, governador paulista. Lá pelas tantas, em sua campanha de 1982, houve uma enxurrada de adesões: estava na cara que ele ia ganhar as eleições de lavada. Muita gente desembarcava de regime militar ou de suas proximidades para aderir ao novo poder.Nisso, veio um grupo de sindicalistas, logo contestados pela velha guarda de Montoro. “Esses caras são uns pelegos”, reclamavam. E Montoro: bom, se a gente dividir o mundo entre pelegos e não pelegos, eles caem no lado dos pelegos; mas nunca é bem assim.

Os caras entraram e ficaram por ali, pelos cantos do governo.Ou a recomendação que fazia Tancredo Neves quando, por conveniência política, precisava nomear alguém não propriamente conhecido pela honestidade: “Arranjem para ele um lugar bem longe do dinheiro”.Claro que há um limite. Excesso de flexibilidade acaba amolecendo as ideias básicas. Mas dá para fazer.O que aconteceu nos governos do PT foi diferente. O partido tinha programa, seus militantes tinham princípios. Foi largando tudo pelo caminho.

Na primeira eleição de Lula, começou pela campanha, quando o partido passou a buscar as generosas doações de empresas e empresários para pagar os marqueteiros, já mais importantes que os ideólogos. Depois foi o programa. Prometia substituir o neoliberalismo por algo tipo socializante (ainda não se falava em bolivarianismo) mas, no governo, aplicou política econômica tão ortodoxa que quase ganhou uma estátua no FMI. E para se manter no poder, topou as alianças com todo tipo de fisiologismo. Ao final, como mostraram os processos do mensalão e da Lava-Jato, se chegou à compra de apoio com dinheiro de propina.

Um partido queria ocupar o aparelho do Estado para fazer uma determinada política. Outros queriam o governo para atender à clientela. O método resultou ser o mesmo: nomear os companheiros e usar o dinheiro público para fins partidários, de grupos e pessoais. E o método, como sempre acontece nessa história, se sobrepôs a tudo, princípios e programas.Se no começo se almejava ganhar a eleição para ocupar o governo e aplicar programa, agora se trata de usar o governo (e o dinheiro público) para se manter no poder. Antes era o dinheiro para a causa. Agora é a causa do dinheiro e não apenas para o partido, mas para o bolso dos chefões.Todo o núcleo de poder, incluindo do poder no Congresso, está envolvido na Lava-jato. A corrupção atingiu níveis tão altos que a gente nem estranha quando delatores prometem devolver dezenas de milhões de reais. A disputa política é pela sobrevivência, pelos cargos, pelo dinheiro.-Qual é? Sempre foi assim — ainda nos dizem.-Mas não, não é normal e não vai acabar sem uma ruptura.(Carlos Alberto Sardenberg é jornalista)

 

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Artigo:Autor Jornalista e escritor José Nêumanne Pinto “Padim Lula: da unção à maldição”

Ex-presidente e vários de seus “campeões mundiais” não estão numa “fase muito boa”Ricardo Pessoa, ex-engenheiro da OAS e empreiteiro da UTC, foi escalado na seleção dos “campeões mundiais” ungidos com as bênçãos do padim Lula de Caetés. Egresso de uma carreira anônima de executivo da construtora baiana, cujo dono era genro de um figurão da República nos anos JK, na ditadura militar, na Nova República e no mandarinato tucano, Antônio Carlos Magalhães, o ACM – dependendo das circunstâncias, Toninho Malvadeza ou Ternura –, subiu na vida como um foguete. E caiu ao fundo do pré-sal acusado de chefiar um cartel que demoliu o patrimônio e a credibilidade da joia da coroa estatizada brasileira, no qual dava cartas para os ex-patrões da OAS e outros figurões carimbados da construção civil nacional: Camargo Corrêa e Odebrecht, entre eles. Subida ao céu e descida aos infernos sob a égide do padroeiro.

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, filhos de José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, que em 1953 abriu a Casa de Carnes Mineira, um pequeno açougue em Anápolis (GO), adotaram as iniciais do nome do pai, JBS, para denominar um grupo que, no século 21, passou a ser o maior processador de proteína animal do mundo, com 152 mil empregados. Para recorrer a uma metáfora futebolística, tão ao gosto do padim, é como se a Anapolina, cuja torcida chama de xata (com x mesmo), decolasse da Série D do Campeonato Brasileiro de Futebol para ganhar o título mundial contra Barcelona ou Juventus de Turim, não importa.

Há, contudo, uma diferença capital entre os Batistas e Pessoa: enquanto este usa uma tornozeleira para não sair de casa, os goianos comemoram, ano após ano, lucros fabulosos. O máximo de incômodo pode ter sido a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de exigir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) abra o sigilo, que tem mantido teimosamente, sobre as vultosas quantias a que a instituição pública se tem associado em suas conquistas no Brasil e alhures. O estouro da boiada, de Consuelo Dieguez, na Piauí, conta como.

Se o TCU não encontrar nada de errado nas relações entre empresa particular e banco estatal, a não ser generosidade de compadre, a esta altura do campeonato restará a constatação de que os filhos de Zé Mineiro serão privilegiados também pelo fato de o ouro do esperto alquimista de Caetés não ter virado cinzas. Mas o clã mineiro em Goiás nunca será acusado de esbanjar, pois tem multiplicado cada centavo da “viúva” injetado. Ao contrário de Eike Batista, filho de Eliezer, o badalado gestor da Vale estatal que operou o “milagre” da transformação de metal precioso em porcaria, reduzindo a pó todos os papagaios de notas de dólar que empinou e tornando uma herança de mandarim um festival de falências.

Já houve quem dissesse que o melhor negócio do mundo é um poço de petróleo bem administrado e o segundo melhor, um poço de petróleo mal administrado. Eike desafiou essa lei do mercado, mas não passou de um golden boy num ringue de pesos pesados. Se é verdadeiro o grave conteúdo das delações premiadas coletadas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná e que têm merecido atenção e aprovação do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, a ex-maior empresa brasileira, a estatal Petrobrás, despencou do alto de desempenho e reputação invejáveis no mundo para o fundo dos próprios poços na profundeza dos mares, em caixa, patrimônio e credibilidade.

Um dos presos na investigação, antes condenado no escândalo do mensalão, o ex-deputado Pedro Corrêa disse à CPI da Petrobrás que o ex-presidente Luiz Inácio só não foi preso porque ninguém teve coragem de fazê-lo. No depoimento, ele delatou: “Lula achava que o Paulo deveria ser diretor de Abastecimento”. O delator recorreu ao testemunho de um morto, José Janene, mas não faltam vivos que se lembrem do carinho com que Lula tratava seu afilhado de “Paulinho”.

Essa talvez seja a única explicação razoável para o desabafo que o dono do dedo que ungiu os “campeões mundiais” andou fazendo em Brasília na semana passada. De acordo com relato dos colegas Andreza Matais e Ricardo Brito, da sucursal de Brasília, publicado neste jornal no sábado, o ex “admitiu” que “não atravessa uma boa fase”. Duvida quem, como o autor destas linhas, frequentou sua casa na vila operária do Jardim Assunção e sabe que hoje o padim mora em apartamento de luxo na mesma cidade de São Bernardo. E tem garantido conforto para veraneios no Guarujá em apartamento tríplex que, segundo seus acusadores, foi concluído pela OAS para a Bancoop, que não tem um histórico muito católico de entregar vivendas que vendeu. Será exagero concluir que ele cospe na própria sorte? Talvez.

Mas uma parábola futebolística é muito adequada se se juntar o que se publica nas páginas de política, polícia e esportes hoje em dia. O Corinthians não sabe, nem tem, como pagar dívida de R$ 1,15 bilhão pelo estádio ainda sem nome que o BNDES ajudou a Odebrecht a construir para o time do coração de Lula. E este e vários dos ungidos por ele enfrentam dificuldades mais amargas do que a eliminação do ex-campeão mundial da Libertadores.

O MPF leva adiante investigação sobre o poder de indicar executivos heterodoxos para gerir dinheiro público de uma amiga íntima de Lula, Rosemary Noronha, que, nomeada por ele, chefiou o escritório da Presidência da República em São Paulo. Em Portugal, o ex-premier José Sócrates, preso, responde por suspeita de protagonizar o escândalo dos sanguessugas. No processo, o colega brasileiro é citado, e não pelo feito de ser autor do prefácio de seu livro sobre tortura.Relatam os repórteres que o preocupa mais a eventual delação premiada de Pessoa, cuja empresa tinha há sete meses R$ 10 bilhões em contratos ativos com a Petrobrás. Se este contar por que chefiava os maiores tocadores de obras de Pindorama, aí, quem sabe, a vaca tussa e a porca torça o rabo.(José Neumane, jornalista, poeta, escritor e  colunista)

 

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Artigo:Nosso crescente mal estar-Autor:Zuenir Ventura

O ex-presidente FH não afasta a necessidade de ‘algum grau de entendimento’ para que o país saia da crise econômica e política. Talvez só falte combinar com Lula

É crescente o nosso mal estar — ou mau humor — e a culpa pode ser mais uma vez atribuída à presidente Dilma. Uma pesquisa que acaba de ser publicada pela repórter Érica Fraga revela que há nove anos o brasileiro não era tão infeliz quanto nesse primeiro trimestre de 2015. Ao resultado, conhecido como “índice de infelicidade”, se chega numericamente pela soma das taxas de inflação e desemprego, o que provocou nesse indicador, também chamado de “índice de miséria”, um salto de 13,5 para 15,5 pontos nos primeiros meses do ano, o maior desde o fim de 2005. A pior notícia é que a situação não vai continuar assim. Como os dados são conseqüência da crise econômica, cuja tendência é permanecer ou se agravar, a previsão é que a insatisfação da população vá crescer na mesma proporção em que aumentar a impopularidade do governo, que é das mais altas. A rejeição já impede Dilma de se apresentar em público numa simples cerimônia de casamento, como madrinha, sem ruidosas manifestações de vaias e panelaços.

Assim, ela terá mais problemas com que se preocupar, além dos que oferecem o deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros, aliados insaciáveis que dispensam inimigos, pois vivem criando-lhe dificuldades com exigências e cobranças. Agora, por exemplo, esperavam da presidente represália contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que incluiu o nome deles no parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal como suspeitos nas investigações da Operação Lava-Jato (no caso do deputado, o procurador afirmou ter encontrado ”elementos muito fortes” para investigá-lo).

Derrotada frequentemente no Congresso e tropeçando muitas vezes na governabilidade, Dilma vive uma melancólica solidão. Curiosamente, um dos poucos lugares onde não é hostilizada, mas até compreendida, é junto a alguns tucanos. Ainda esta semana, por exemplo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, falando para uma platéia de investidores em Nova York, evitou criticá-la. “Esses malfeitos”, disse, usando uma palavra que foi popularizada por Dilma, “vêm de outro governo, isso deve ficar bem claro. Vêm do governo Lula”. Também o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, evitou fazer críticas diretas à presidente e a tratou tão bem que precisou desmentir que ele e FHC façam parte de uma ala moderada que estaria buscando uma conciliação com o governo do PT. Eles negam essa hipótese, mas o ex-presidente não afasta a necessidade de “algum grau de entendimento” para que o país saia da crise econômica e política.

Talvez só falte combinar com Lula.

Zuenir Ventura é jornalista

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/nosso-crescente-mal-estar-16170234#ixzz3aQki1Q7T
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COLUNA
Zuenir Ventura


Nosso crescente mal estar

O ex-presidente FH não afasta a necessidade de ‘algum grau de entendimento’ para que o país saia da crise econômica e política. Talvez só falte combinar com Lula

É crescente o nosso mal estar — ou mau humor — e a culpa pode ser mais uma vez atribuída à presidente Dilma. Uma pesquisa que acaba de ser publicada pela repórter Érica Fraga revela que há nove anos o brasileiro não era tão infeliz quanto nesse primeiro trimestre de 2015. Ao resultado, conhecido como “índice de infelicidade”, se chega numericamente pela soma das taxas de inflação e desemprego, o que provocou nesse indicador, também chamado de “índice de miséria”, um salto de 13,5 para 15,5 pontos nos primeiros meses do ano, o maior desde o fim de 2005. A pior notícia é que a situação não vai continuar assim. Como os dados são conseqüência da crise econômica, cuja tendência é permanecer ou se agravar, a previsão é que a insatisfação da população vá crescer na mesma proporção em que aumentar a impopularidade do governo, que é das mais altas. A rejeição já impede Dilma de se apresentar em público numa simples cerimônia de casamento, como madrinha, sem ruidosas manifestações de vaias e panelaços.

Assim, ela terá mais problemas com que se preocupar, além dos que oferecem o deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros, aliados insaciáveis que dispensam inimigos, pois vivem criando-lhe dificuldades com exigências e cobranças. Agora, por exemplo, esperavam da presidente represália contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que incluiu o nome deles no parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal como suspeitos nas investigações da Operação Lava-Jato (no caso do deputado, o procurador afirmou ter encontrado ”elementos muito fortes” para investigá-lo).

Derrotada frequentemente no Congresso e tropeçando muitas vezes na governabilidade, Dilma vive uma melancólica solidão. Curiosamente, um dos poucos lugares onde não é hostilizada, mas até compreendida, é junto a alguns tucanos. Ainda esta semana, por exemplo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, falando para uma platéia de investidores em Nova York, evitou criticá-la. “Esses malfeitos”, disse, usando uma palavra que foi popularizada por Dilma, “vêm de outro governo, isso deve ficar bem claro. Vêm do governo Lula”. Também o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, evitou fazer críticas diretas à presidente e a tratou tão bem que precisou desmentir que ele e FHC façam parte de uma ala moderada que estaria buscando uma conciliação com o governo do PT. Eles negam essa hipótese, mas o ex-presidente não afasta a necessidade de “algum grau de entendimento” para que o país saia da crise econômica e política.Talvez só falte combinar com Lula.(Zuenir Ventura é jornalista)

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