Se antes o objetivo de um produtor era vender ingressos e garantir um show lotado, hoje o desafio vai muito além. O público quer mais que música — ele busca experiências completas. Essa tendência, conhecida como “festivalização”, já é o novo motor da indústria global de eventos.
De acordo com a GlobeNewswire, o mercado de música ao vivo deve chegar a US$ 79,7 bilhões até 2030, impulsionado principalmente por festivais multi-experiência, como Coachella, Tomorrowland e Glastonbury. Esses gigantes não vendem apenas um lineup, mas um estilo de vida: moda, gastronomia, arte, turismo e ativações de marcas convivem com os shows em um ecossistema de consumo.
No Brasil, essa tendência já começa a aparecer em grandes capitais. Festivais como Rock in Rio e The Town mostraram que o público valoriza tanto a experiência do ambiente quanto o espetáculo no palco. Áreas temáticas, food halls, ativações de patrocinadores e experiências de marca geram novas fontes de receita e elevam o ticket médio por pessoa.
Para os produtores, a lição é clara: pensar apenas na atração principal é limitar o potencial financeiro de um evento. Cada hora extra de permanência do público significa novas oportunidades de consumo — seja em alimentação, bebidas, ativações de marca ou produtos oficiais.
Além disso, a festivalização cria espaço para parcerias estratégicas. Marcas interessadas em associar sua imagem ao entretenimento buscam eventos que ofereçam visibilidade para além do palco. Isso abre portas para patrocínios robustos e experiências co-criadas com grandes players do mercado.
A longo prazo, eventos que abraçam essa tendência tendem a construir uma relação mais duradoura com o público. Afinal, quando a experiência vai além da música, o consumidor deixa de comprar apenas um ingresso: ele compra memórias.
O futuro dos shows pode estar justamente nessa transformação. A pergunta que fica é: o seu evento está pronto para ser mais que música?