Geração Z consome menos álcool e AEG aposta em drinks zero nos shows

A concorrente de bebidas alcoólicas está ganhando terreno nos locais de entretenimento ao vivo. O grupo AEG (um dos maiores promotores/operadores de arenas) firmou acordos para inserir bebidas não alcoólicas nas suas operações, respondendo à queda nas vendas de álcool em shows — um movimento que pode reconfigurar receitas e estratégias de monetização no setor

Geração Z consome menos álcool e AEG aposta em drinks zero nos shows
Foto: Gerado com Inteligência Artificial

O AEG, empresa global com atuação em promoção, gestão de arenas e produção de eventos, assinou recentemente um acordo para ampliar a oferta de bebidas não alcoólicas em seus locais de show. O movimento surge num momento de queda de consumo de bebidas alcoólicas em shows, especialmente entre o público mais jovem (Geração Z), que já demonstra preferência por experiências mais saudáveis ou conscientes.

Fontes indicam que em shows focados nesse público, as vendas de bebidas alcoólicas chegaram a cair até 25%, conforme relatos em publicações como Billboard.

É nesse cenário que o AEG aposta na diversificação da oferta — com bebidas “zero” ou “low alcohol” — para não perder receita de bar e manter relevância comercial dentro de seus espaços.


Por que isso importa para produtores de shows

Esse movimento corporativo revela algumas mudanças estruturais que qualquer produtor de shows precisa considerar:

  1. Redução de dependência da bilheteria + bebida
    Tradicionalmente, vendas de bebidas alcoólicas costumam representar parcela expressiva da margem de lucro dos locais. Mas com o declínio dessa fonte de receita, produtores precisam diversificar suas receitas para compensar.

  2. Adoção acelerada da tendência “sober-curious”
    O público — especialmente jovens adultos — está repensando hábitos de consumo. Bebidas sem álcool ou de baixo teor alcoólico já não são nicho: são demanda crescente. E quem oferecer primeiro ganha vantagem.

  3. Reconfiguração do mix de oferta
    Inserir opções não alcoólicas de qualidade (craft, sofisticação, branding forte) pode transformar o bar de um show numa fonte de valor, não apenas um “mal necessário”. Essa mudança exige parcerias novas, ajustes logísticos e renegociação com fornecedores.

  4. Oportunidades para patrocínios e branding
    Marcas de bebidas “0%” querem visibilidade nesse mercado. Um acordo com produtor ou casa de shows pode se tornar soja de patrocinador bilionário — é “produto + posicionamento saudável”.

  5. Desigualdade entre espaços grandes e pequenos
    Locais de grande porte e arenas têm mais folga para absorver riscos e investir nesses modelos híbridos. Casas menores, bares de música ao vivo, espaços regionais talvez sofram mais com a queda do álcool e demorem a executar essa transição.


Dados & tendência de fundo

  • Geração Z bebendo menos: Pesquisa e reportagens apontam que jovens adultos (18–34) têm consumido menos álcool nas últimas décadas, por razões diversas (saúde, consciência, estilo de vida). Business Insider+1

  • Margens altas no álcool: Em muitos casos, margens de lucro de bebidas alcoólicas nos eventos são elevadas (muitas vezes 70-80%) — por isso seu declínio pega forte quem dependia disso. Business Insider

  • Demanda por alternativas: Em restaurantes, por exemplo, as vendas de bebidas sem álcool estão crescendo forte. Isso indica que o público não está deixando de consumir — está migrando para opções diferentes. Food & Wine


Desafios para operar essa transição

  • Custo inicial elevado: Bebidas zero ou “low” frequentemente têm preço de importação, margens menores ou menor escala.

  • Logística & cadeia de fornecimento: Fornecedores tradicionais talvez não ofereçam essas opções, exigindo negociações ou novos contratos.

  • Aceitação do público: Parte do público ainda espera bebidas alcoólicas; oferecer só opções “clean” pode gerar atrito se não for bem comunicado.

  • Margens menores: Mesmo com volume, a margem unitária pode ser menor, exigindo volume ou compensação por outras vendas (merchandising, experiências).

  • Adaptação regulatória e fiscal: Em muitos países, bebidas alcoólicas têm impostos específicos; mudança de portfólio pode exigir revisões contratuais, regulatórias ou de licenciamento.


O que produtores de shows já podem fazer

  • Testar vendas híbridas: Em shows menores, oferecer um espaço ou “bar 0%” para testar aceitação.

  • Parcerias com marcas de bebidas sem álcool: Marcas emergentes procuram presença em eventos para ganhar exposição.

  • Comunicação ativa: Educar o público sobre novas opções — promover como “mais saudável”, “mais consciente”, “moderno”.

  • Mix inteligente de oferta: Manter bebidas alcoólicas onde houver demanda, mas equilibrar com opções premium não alcoólicas.

  • Modelos de precificação: Ajustar preço das bebidas “clean” para serem competitivas sem canibalizar margens.


Conclusão

O AEG não está reagindo — está antecipando. Ao investir em opções de bebidas sem álcool para seus locais, a empresa sinaliza que reconhece uma mudança de paradigma no consumo dentro do universo dos shows. Para produtores, essa notícia serve como alerta: o modelo antigo (venda abundante de bebidas alcoólicas + bilheteria) está se tornando vulnerável.

Quem agir cedo — adaptando oferta, testando novos modelos de monetização e abraçando tendências comportamentais — poderá transformar esse desafio em vantagem competitiva. Afinal, nos próximos anos, pode haver mais valor em oferecer “zero álcool com experiência” do que um copo cheio de bebida tradicional.