De acordo com o levantamento “PIB da Música no Brasil” da Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima), o setor de música brasileira alcançou R$ 116,06 bilhões em faturamento em 2024, porém menos de 1% desse total — cerca de R$ 700 milhões — chegou aos artistas via streaming.
Shows e apresentações ao vivo ditam o ritmo do setor
A maior parte da receita vem da música ao vivo: R$ 94 bilhões foram gerados por shows, incluindo vendas de ingressos, patrocínios e mercadorias. Esse modelo continua sendo a principal fonte de renda para os músicos brasileiros.
Em contrapartida, o mercado fonográfico — que engloba gravações, distribuição e streaming — arrecadou apenas R$ 3,484 bilhões, equivalente a cerca de 3% do faturamento total da indústria musical brasileira, com R$ 2,07 bilhões originados de assinaturas e apenas R$ 700 milhões aos músicos, menos de 1% do total.
Streaming cresce, mas dividido entre muitas mãos
Apesar da pequena fatia destinada aos artistas, o streaming representou 87,6% da receita da música gravada no país, com o Spotify liderando com 60% desse montante. Segundo o estudo Loud and Clear, artistas brasileiros faturaram mais de R$ 1,6 bilhão em royalties em 2024, porém esse valor não traduz diretamente em pagamento aos artistas, já que gravadoras e editoras também ficam com a maior parte.
Preferência nacional e crescimento de shows
Dados indicam que 93,5% das 200 músicas mais tocadas em 2024 no Brasil são nacionais. Já em relação a shows, houve mais de 100 mil eventos no país, um crescimento de 31% em relação a 2023, com tíquete médio de R$ 432 — valores que podem chegar à faixa de R$ 800 a R$ 1.100 em pista e até mais de R$ 3.000 em áreas VIP nos grandes festivais.
Megaeventos como o Carnaval e o Lollapalooza geram impacto real na economia:
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Carnaval do Rio movimentou R$ 5 bilhões
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Minas Gerais R$ 4,7 bilhões
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São Paulo R$ 3,4 bilhões
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Salvador R$ 2 bilhões
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Lollapalooza Brasil gerou R$ 500 milhões
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Show de Madonna em Copacabana arrecadou R$ 469 milhões
Perfil do setor e estrutura de mercado
O levantamento identificou cerca de 19,53 mil empresas atuando no setor musical em 2024, das quais 88,4% são microempresas e 47,3% operam como MEI. O setor gerou 13,3 mil empregos formais no mesmo ano.
Conclusão: shows são o motor, streaming ainda é frágil para artistas
Os números deixam claro o panorama: o Brasil vive um mercado de música crescente, dominado por shows e eventos ao vivo. Enquanto os turnês seguem sendo a principal fonte de receita, o streaming demonstra expansão, porém com distribuição desigual entre artistas, gravadoras e editoras.
A realidade mostra que investir em apresentações ao vivo continua sendo a estratégia mais rentável para artistas, especialmente diante da disparidade nos ganhos via plataformas digitais.