Na indústria de shows, o verdadeiro ativo não é apenas o artista, o palco ou a bilheteria. É o público — mais especificamente, os dados sobre ele. Em um mercado em que margens são apertadas e custos crescem, saber quem está do outro lado do ingresso pode ser o diferencial entre lucro e prejuízo.
Segundo relatório da PwC, o setor global de entretenimento e mídia deve movimentar US$ 2,6 trilhões até 2027, impulsionado principalmente pelo uso de dados e tecnologia para personalização. Para os produtores, isso significa que conhecer hábitos, preferências e padrões de consumo dos fãs pode abrir novas fontes de receita e reduzir riscos financeiros.
Ferramentas de CRM e analytics permitem identificar, por exemplo:
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quais segmentos estão dispostos a pagar mais por experiências premium;
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quais cidades apresentam maior demanda para determinados gêneros;
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em que horários a compra de ingressos tem mais volume;
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e até prever a taxa de “no show” de determinado evento.
Mais do que preencher arenas, esse tipo de inteligência permite negociar melhor com patrocinadores e marcas. Afinal, dados de audiência qualificada são tão valiosos quanto visibilidade em mídia. Uma marca que sabe que determinado festival atrai jovens entre 18 e 25 anos com alto consumo digital tende a investir mais em ativações direcionadas.
O desafio, claro, está em capturar e usar esses dados com estratégia e compliance. Em tempos de LGPD no Brasil e GDPR na Europa, a coleta deve ser transparente e gerar valor real ao consumidor. Isso significa oferecer benefícios em troca de informações: pré-venda exclusiva, descontos, experiências personalizadas.
No fim das contas, quem dominar o dado dominará a indústria. Porque o ingresso vende uma noite, mas o dado vende todas as noites futuras.